Sobre suecos e o café

O sueco e o café

Blog do Noblat

Indo para o trabalho, outro dia, de manhã cedinho, observava as pessoas, cruzando as ruas ou caminhando pelo passeio, com seu copo de café. É engraçado, mas foi a primeira vez que realmente notei como é comum os suecos levarem seu café na mão, pela manhã, no ônibus, no metrô, ou caminhando pelas ruas.

Ainda não encontrei alguém tomando café e andando de bicicleta, mas a verdade é que o carrinho do supermercado onde eu faço as compras semanais tem um “porta-copo de café”. É isso mesmo. As pessoas fazem as compras, curtindo o seu café.

E café de sueco não é cafezinho não! É café grande mesmo, no copo.

O fato é que muita gente, por aqui, não consegue fazer nada pela manhã sem antes tomar seu café. No trabalho é a mesma coisa; não há reunião que comece sem um copo de café antes. E se a reunião é prolongada, tem pausa para o café também.

O sueco, em geral, toma café sem açúcar, com uma gotinha de leite, acho que para quebrar a acidez. Mas o “capuccino”, o “caffe latte”, o “espresso”, todos têm sua vez.

A onda do café é tão forte, que todo dia sai alguma novidade nos jornais. O café faz você mais generoso e mais apto para as relações sociais. O café diminui o risco de câncer de mama. Pesquisadores espanhóis mostram que tomar seis copos de café por dia faz bem à saúde. Sobe o preço do café. É tanta história com o tal do café, que eu desconfio…

O café do sueco chama-se “fika”. “ Ta en fika” significa fazer uma pausa para o café. Sem açúcar, como eu disse, mas sempre acompanhado de bolachinhas e biscoitos doces, chocolate, ou as famosas “bulle”, pão doce com canela ou com muito creme em cima. Mistura-bomba para meu estômago.

Como brasileira, sou enfrentada com descrença e estupefação quando digo que não tomo café. Até me envergonho por não fazer propaganda do nosso produto nacional por excelência. Mas, também, nem é necessário, pois quase a metade do café que se bebe na Suécia vem do Brasil.

É que os muitos anos de Chile mudaram meu gosto. Para mim, café, lá nos Andes, era “chafé”. A não ser que a pessoa fosse a um dos lugares especiais onde se fazia um bom cafezinho, servido aos clientes, a altíssimos preços, por meninas com minúsculas saias. Tudo isso fez-me perder a mania do cafezinho, adquirida por volta dos 18 anos, no meu primeiro estágio, e reforçada pelos anos de serviço público. No Chile, terminei adotando as “aguitas de hierbas”: camomila, tilo, boldo e por aí vai.

E, aqui, tenho que explicar todos os dias, na hora do cafezinho: não, obrigada, eu não tomo café. “Você toma um chá?” é a pergunta que vem logo depois. Não, obrigada, não tomo chá preto, só tomo água de ervas.

Pronto! Um curto diálogo e meu “charme” de brasileira vai pelas cucuias… Oxalá não desapareçam, também, minhas chances de fazer boas amizades, ser generosa e manter bons contatos sociais.

Leitora do blog, Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, é baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há quase uma década em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental. Escreve no Blog sempre às segundas e sextas.

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